segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A Festa do Silêncio - Poema de António Ramos Rosa



Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.


António Ramos Rosa, in "Volante Verde"



sábado, 27 de fevereiro de 2016

O pintor Eugenio Zampighi


Eugenio Zampighi, nasceu em 1859 em Modena, Itália.





Ainda muito jovem ingressou na Academia de Artes de Modena, onde estudou durante cinco anos, tendo a sua educação versado principalmente o Renascimento e os clássicos romanos. Recebeu uma bolsa de estudos, tendo ido para Roma aprofundar e consolidar os seus conhecimentos.






O último ano da bolsa passou-o em Florença, tendo sido aí também influenciado pelo estilo “Macchiaioli”, que retratava as vidas das pessoas e do seu quotidiano.






Eugénio recriava imagens alegres e idílicas da vida rural italiana. Pintou cenas do interior das casas, actividades de lazer bem como reuniões familiares.





Com o inicio da I Guerra Mundial voltou a Modena, onde deu aulas na Academia. Morreu em 1944.




Fontes e Fotos: Wikipedia; Outros Net

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Quando uma Porta se fecha uma outra se abre ...




“Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas costumamos ficar olhando tanto tempo para a que se fechou que não vemos a que se abriu.” Helen Keller








"As portas da sabedoria nunca estão fechadas." Benjamin Franklin








"Se um dia fecharem-lhe as portas da vida, pule a janela." Augusto Cury


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Três Rosas - Poema de Eugénio de Castro





Sempre, mas sobretudo nas brumosas
Horas da tarde, quando acaba o dia,
Quando se estrela o céu, tenho a mania
De descobrir, de ver almas nas cousas.

Pendem deste gomil três lindas rosas;
Uma é rosada, a outra branca e fria,
Rubra a terceira; e a minha fantasia
Torna-as humanas, vivas, amorosas.

Sei que são rosas, rosas só! mas nada
Impede, enquanto cai lá fora a chuva,
Que a minha mente a fantasiar se ponha:

Por ser noiva a primeira, é que é rosada;
Branca a segunda está, por ser viúva;
A vermelha pecou ... e tem vergonha!


Eugénio de Castro, in 'Antologia Poética'



 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Lantanas




As lantanas são originárias da Índia e nativas das regiões tropicais das Américas e África. Existem cerca de 530 espécies diferentes. Algumas espécies são invasivas tendo colonizado novas áreas através de dispersão de sementes por pássaros. Pertencem à família Verbenaceae ou verbenáceas, sendo conhecidas também por: Cambará-de-jardim, lantana-cambará, verbena-arbustiva, cambará-miúdo, cambará-de-cheiro, camarazinho.





Tem um ciclo de vida perene, é uma espécie muito versátil incluindo plantas herbáceas e arbustos, podendo atingir até 2 m de altura.

A flor da lantana tem como significado a aceitação dos outros pelo que são, com todos os defeitos e virtudes.






As inflorescências são compostas de numerosas flores agrupadas em hastes florais aromáticas e florescem quase todo o ano. Apresentam várias cores, com destaque para as cores vermelha, amarela, laranja e branca. Atraem agentes polinizadores como borboletas, pássaros e insetos. 





Devido ao multicolorido das suas flores e à sua resistência são muito utilizadas no paisagismo, podendo ser utilizadas em canteiros, maciços e bordaduras.






Solo e regas: solo fértil, arenoso e rico em matéria orgânica. As regas devem ser frequentes nos primeiros meses após o plantio e uma vez por quinzena quando não chover.

Luz e Temperatura: Devem ser cultivadas a pleno sol. Gosta de clima quente e húmido.

É necessário ter em ATENÇÃO que as bagas da lantana são tóxicas.





Texto Explicativo: Wikipedia; http://www.mundodeflores.com/; http://www.floresnaweb.com/; http://www.jardineiro.net; outros net.

Fotos: Pessoais

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A um Amigo - Poema de Almeida Garret



A um Amigo


Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.

Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que suceda à flor.

Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.


Almeida Garrett, em 'Folhas Caídas'





sábado, 20 de fevereiro de 2016

Mar. Manhã



Suavemente grande avança
Cheia de sol a onda do mar;
Pausadamente se balança,
E desce como a descansar.

Tão lenta e longa que parece
De uma criança de Titã
O glauco seio que adormece,
Arfando à brisa da manhã.

Parece ser um ente apenas
Este correr da onda do mar
Como uma cobra que em serenas
Dobras se alongue a colear.

Unido e vasto e interminável
No são sossego azul do sol,
Arfa com um mover-se estável
O oceano ébrio de arrebol.

E a minha sensação é nula,
Quer de prazer, quer de pesar...
Ébria. de alheia a mim ondula
Na onda lúcida do mar.


Fernando Pessoa




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Floriram por engano as rosas brancas - Poema de Camilo Pessanha





Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno; veio o vento desfolhá-las ...
Em que cismas, meu bem ? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caíste!...
Onde vamos, alheio pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que num momento
Prescrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze - quanta flor - do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?



Camilo Pessanha


Catedral de Silves



É um dos principais monumentos do sul do país, sendo considerada a construção gótica mais importante do Algarve.







Arquitetura religiosa, apresenta vários estilos arquitetónicos, como manuelino, barroco mas principalmente gótico.




Sé vista a partir do castelo




Cabeceira (estilo gótico )




A Sé é construída em arenito vermelho, o Grés de Silves. Não há dados concretos para a data inicial da sua construção, tendo esta situado-se entre os séculos XIV e XVIII. O seu interior alberga no pavimento diversos túmulos de bispos e de famílias nobres de Silves datados dos séculos XV e XVI.






Capela funerária de João do Rego e Gastão da Ilha, altos funcionários da administração da cidade durante o séc. XV. 




A nave principal tem uma altura de cerca de 18 metros sendo dividida das naves laterais por pilares octogonais. Lateralmente encontram-se altares em talha dourada barroca.









Ao longo dos tempos a Sé passou por várias intervenções de restauro. Foi classificada como Monumento Nacional em Junho de 1922.



Fotos: Pessoais
Texto explicativo: Wikipedia; http://www.monumentos.pt;