terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Flor de Asfalto





Trazes nos olhos a melancolia
das longas perspectivas paralelas,
das avenidas outonais, daquelas
ruas cheias de folhas amarelas
sob um silêncio de tapeçaria...

Em tua voz nervosa tumultua
essa voz de folhagens desbotadas,
quando choram ao longo das calçadas,
simétricas, iguais e abandonadas,
as árvores tristíssimas da rua!

Flor da cidade, em teu perfume existe
Qualquer coisa que lembra folhas mortas,
sombras de pôr de sol, árvores tortas,
pela rua calada em que recortas
tua silhueta extravagante e triste...

Flor de volúpia, flor de mocidade,
teu vulto, penetrante como um cume,
passa e, passando, como que resume
no olhar, na voz, no gesto e no perfume,
a vida singular desta cidade.


Guilherme de Almeida




12 comentários:

  1. Boa noite Maria, fiquei feliz em te ver lá em minha casinha, estou voltando aos poucos, fiquei mais de ano sem postar nada, mas agora retorno devagarinho, com saudades, fiquei encantada com este poema de Guilherme de Almeida, forte e belo, adorei, obrigada por compartilhar bjos

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  2. Lindíssimo poema querida amiga, desejo-lhe um dia de Carnaval cheio de felicidade beijinhos

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  3. Olá, Maria...Que linda publicação com este poema maravilhoso de Guilherme de Almeida...amei!!! abraços, ania..

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  4. Muito bom. Muita elegância desses poetas do passado. Abraço.

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  5. Muito linda esta poesia.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  6. Versos tristes e melancólicos marcam esta bela poesia
    Um abraço

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  7. Lindos versos de Guilherme de Almeida.
    bjs Maria Rodrigues e obrigada pela visita.
    Carmen Lúcia.

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  8. Olá Maria!
    Passando pra matar a saudades desse cantinho maravilhoso!
    Beijos... Fátima.

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  9. Que legal Maria trazer um dos mentores da Semana de Arte Moderna do Brasil nesta sua bela pagina. Guilherme teve uma participação fundamental no período.Fazia tempo que não lia sobre ele. Gostei da selecionada bem como da ilustração amiga.
    Valeu Maria.
    Bjs de paz amiga.

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